Marcelo Fidalgo
Não há como não ver. Todos os que passam na Rua Libero Badaró, no centro, percebem, com um misto de espanto e admiração, o Condomínio Sampaio Moreira, o maior prédio de São Paulo. Na imensidão de seus doze andares, as autoridades chegaram a ficar preocupadas com o risco de uma edificação tão alta cair com ventanias e sugeriram que ele fosse construído com dois andares a menos. Mas os engenheiros e arquitetos mostraram que era possível e agora todos admiram o tamanho do prédio. O Sampaio Moreira é uma atração por ser o primeiro arranha-céu da cidade.
Mas isto foi em 1924. Hoje, poucos percebem o condomínio. Cercado por prédios muito maiores e melhores tratados o antes maior prédio da cidade passa anonimamente pela população que diariamente circula pelo centro da cidade. “No domigo eu estava comendo numa churrascaria do outro lado da rua e nem olhei para o Sampaio Moreira. Ele está muito escondido entre esses prédios. E eu trabalho aqui”, afirmou Renato, recepcionista do condomínio.
A situação do prédio não é das melhores. A fachada, restaurada há dezessete anos, está suja e malcuidada, inibindo seus olhos irem em direção ao prédio. Eu, que todos os dias esperava o ônibus no ponto em frente ao prédio, nunca tinha percebido sua existência. Mas, depois de um pouco de atenção, logo percebo a beleza por trás dos anos de esquecimento e de descuido no prédio. A fachada do começo do século me instiga e aguça a minha curiosidade.
Adentro ao prédio e avisto três funcionários conversando. A tranqüilidade e o desprendimento deles me fazem lembrar as conversas pacatas e sem pressa do começo do século passado que conheço pelos livros. Mas essa impressão logo acaba. O recepcionista me avisa que André, o síndico do prédio, não permitiu que eu adentrasse ao interior do prédio. A desculpa? Nenhuma. Muitas pessoas pedem para conhecer o edifício e ele não achou que um estudante merecia esse privilégio. André não estava no prédio no dia, provavelmente estava viajando na véspera de feriado.
Converso com dois dos funcionários, Renato, o recepcionista e Rubens. Rubens é ascensorista, uma profissão quase extinta que só é necessária nos elevadores antigos. Os elevadores do Sampaio Moreira são originais da época e não pode serem trocados pois o prédio é tombado e uma das limitações e exigências é a manutenção dos elevadores.
A recepção do edifício também é toda original da época. Na parede estão pedras muito usadas em construções da década de 20. “Me disseram que na verdade isso daí não é pedra. É uma pintura feita para dar a impressão que é. Muito perfeito, não?” afirmou Renato. A escada também é igual a da construção do prédio, tanto o corrimão quantos os degraus são iguais aos daquela época.
Porém o tombamento do prédio fica por ai. Nos outros andares do prédio não há limitações nem obrigações. Atualmente o condomínio aluga salas para escritórios por 330 reais mensais e nelas, o proprietário pode mudar o que bem entender. “Dentro das salas o dono faz o que bem entende. Mas tem gente que prefere o original. Um grupo de arquitestos tem salas no sétimo andar. Eles restauram o corredor inteiro. Tiraram as tintas por cima, corrigiram os defeitos. Ficou a coisa mais linda”, comentou Renato.
No décimo primeiro, e penúltimo andar, uma firma de arquitetura que trabalha com restaurações, tendo feito a restauração da Faculdade de Direito da USP, tem sala. Pergunto se o pessoal do prédio não se interessa em restaurar a fachada do edifício, Rubens me responde. “Tem, mas o problema é o dinheiro. Em prédios tombados, metade do dinheiro para restaurações vem do governo e metade do proprietário. A parte do governo vem de isenção do IPTU. Uma reforma dessa sairia por uns 4, 5milhões de reais. É difícil para os proprietários desembolsarem essa grana”.

Já trabalhei no Mirante do Vale, este o mais alto edifício de São Paulo, aquilo sim é prédio que conjuga o mais moderno e ao mesmo tempo o mais deixado de lado.
Trabalhava numa produtora que ocupava o andar todo: nosso andar era bem cuidado e tal, mas o andar inferior era infestado de baratas e ratos.
Você deveria entrevistar o tiozinho daquele empório da Líbero Badaró, em frente ao ponde de ônibus (acho que é do lado deste Sampaio Moreira, se não estou enganado). Enfim, aquele senhor deve ter alguma hostoria boa. Ninguém recebe os fregueses de terno e gravata logo cedo, na calçada, sem ter alguma coisa interessante a dizer.
Outra coisa, vocês estão sem o blogroll. Não consigo visitar outros blogues assim… e não deixem o mala escrever tudo, vai ficar (mais) folgado (ainda).
Padroniza o texto Mala!