Marcelo Fidalgo
Tancredo Neves e Ulisses Guimarães são até hoje considerados heróis por terem lutado pela volta da democracia no Brasil. No entanto, os pracinhas, que lutaram na Segunda Guerra Mundial, ícone global de vitória da democracia sobre regimes totalitários, são ignorados pela população, pela mídia e pelo exército.
No último sábado, fui à casa de Joaquim Matheus, ex-combatente da infantaria brasileira na Segunda Guerra Mundial. Na FEB (Força Expedicionária Brasileira), Matheus era chefe da munição, carregava armas para abastecer seu pelotão. Após a guerra, ele enfrentou dor nas costas durante grande parte de sua vida. Depois de uma cirurgia para tentar aliviar esse sofrimento, Matheus agora não consegue andar e tem parte do corpo paralisado. Herança da guerra e de uma operação mal-sucedida.
Matheus serviu o exército num misto de voluntarismo e falta de opção. Aos 21 anos, idade que na época ocorria o alistamento obrigatório, era muito difícil conseguir emprego. Caso ele fosse convocado para servir, a empresa teria que arcar com seu salário durante esse período. Por isso, raramente as empresas contratavam jovens de sua idade e Matheus resolveu servir o exército voluntariamente.
Matheus entrou no Exército em 1941, época em que já havia indícios de que o Brasil poderia se envolver com a guerra. Após ataques alemães a embarcações brasileiras e, principalmente, a um acordo com os EUA para financiamento da Usina Siderúrgica de Volta Redonda, o Brasil entrou na guerra em 1943.
Os soldados mais fortes e mais competentes do Exército Brasileiro foram selecionados para guerra. Entre os testes para entrar na FEB estava o exame médico. Além dos tradicionais exames de vista, de coluna, físico etc, havia um exame não muito comum. “Quando estávamos pelados eles davam uma bela olhada na nossa traseira para ver se éramos homossexuais”. Matheus afirmou que não teve conhecimento de nenhum caso homossexual no Exército. Apenas um marinheiro foi preso no navio que ia em direção a Itália quando descobriram sua preferência por homens. “Ele ficou numa prisão no porão, de 1 metro X 1 metro. Chegando na Itália ele foi para a prisão local.”
Matheus foi selecionado e foi mandado para o Rio de Janeiro para o treinamento. “Muitos desertaram. Muitos anos depois eu encontrei um desertor na cidade de minha mulher. Ele me pediu desculpas e falou que sentia vergonha por ter desertado e por ter abandonado seus companheiros antes da guerra. Falei que iria prendê-lo. Lógico que era brincadeira. Já tinha havido a anistia.”
Apesar de a FEB ser formada exclusivamente por brasileiros, e de terem vários oficiais entre eles, a liderança era exclusivamente americana. Eles definiam as estratégias, dividiam os trabalhos, decidiam os ataques, forneciam a alimentação. Todas as armas, munições, embarcações, aviões, etc, eram dos EUA. “Fiquei impressionado com a organização dos americanos. Tudo funcionava bem e no horário. Eles tinham um nacionalismo incrível e extrema disciplina, além, é claro, da superioridade tecnológica. A comida era ótima. Tinha maçã e várias outras coisas gostosas”.
Ao desembarcarem em Napoli, na Itália, Matheus se deparou com uma população vivendo em situação extremamente ruim e decepcionada com o fascismo. Eles os receberam muito bem, como libertadores. “A guerra leva a população a uma pobreza extrema. Havia muitas italianas que se prostituíam por um prato de comida, por uma barra de chocolate, por um maço de cigarros”.
A pobreza na Itália durante a guerra era tamanha, que os pracinhas distribuíam a comida que sobrava para os italianos. A população formava grandes filas. “Uma vez apareceu uma moça aqui em casa me agradecendo por ter salvo a vida dela. Era uma imigrante italiana que só tinha se alimentado devido a distribuição de comida que o Exército Brasileiro fazia. Os ingleses não distribuíam as sobras da comida, eles a enterravam. Eles diziam que inimigo é sempre inimigo”.
Após uma sequÊncia de vitórias na Itália, em 1945 acabou a guerra na Europa. Os pracinhas foram recebidos como heróis pela população brasileira. Mas pouco tempo depois, eles já estavam esquecidos. Por falta de verba e por inveja de oficiais que não participaram da FEB, o Exército pouco ajudou os veteranos a reconstruírem suas vidas. A população pouco se lembra que o Brasil teve participação na guerra contra o “totalitarismo”. Mas quem são os verdadeiros heróis brasileiros na luta pela democracia?

[...] Heróis Sonegados [...]
Ótimo post…
Poucos materiais falam sobre a situação econômica italiana durante a Guerra, e, realmente, quase ninguém no Brasil sabe sobre a existência da FEB e sua participação na 2ªGM.
A FEB; enbora não reconhecida como deveria ser. É um orgulho conhecer a bravura de nossos soldados que pela terra, céu e mar, com frio e fome defendeu sua pátria e nome, cuja nação brasileira pelos seus homens, rompeu mutas fronteiras, deveras brasileiros de coração,aqueles cuja massa do sangue constitui-se de amor a patria honralos pela sua bravura, por que a cobra fumou, e siga em frente pela sua gente , hoje quem faz ela fumar, nosso soldados e tenentes.
ola…
Com eu faço para entrar em contato com o sr. Joaquin?
são de pessoas assim que é feito a historia de uma nação,em nome deste pais sem memoria o nosso muito obrigado.
Aqui em minha cidade teve 2 homens que participaram da segunda guerra, para mim dois verdadeiros heróis.
Mas em vez da maioria da minha pequena cidade(10 mil hab.) se orgulhar, eles eram “zuados”, sempre ouvi a história que um deles ficou com medo na hora da guerra. Mas quem não teria?! Na hora que vc ve uma pessoa matando outro pra sobreviver, na hora q ve seu amigo morrer do seu lado sem poder fazer nada, ngm tem sangue de barata.
Infelismente esses dois homens morreram, um morreu faz tempo, mas outro morreu a nem um ano, não teria como eu ir perguntar alguma coisa sobre o q ele viveu, pois além de ser muito triste para ele, ele estava muito doente.
Era para termos 3 soldados, mas um qnd estava embarcando no porto de santos rumo a Italia veio a noticia q a guerra havia acabado.
Meu sonho é de um dia servir ao exercito brasileiro msm havendo uma guerra, msm sabendo q não serei recompensado, mas sei la amo o meu país e acho q os maiores homens q vive nesse planeta foram os que lutaram na guerra, até os alemães, japoneses, italianos, pois eles pensavam q lutavam por sua patria, por seu país, não por uns homens sem cabeça, loucos…
AH……parabens pelo texto.