Guilherme Balza
Esta caricatura do nosso saudoso democrata Gilberto Kassab estava colada num muro de madeirite preta, de uma obra na Rua Augusta, no trecho Paulista-Centro.
Estava caminhando com um amigo, mais ou menos duas da manhã de um sábado gelado, quando avistei o Kassabão na parede. Não resisti e arranquei o lambe-lambe (havia outros tantos iguais ali grudados). Queria scaneá-lo… mas encontrei o fotolog do interventor e ficou tudo mais fácil (http://www.fotolog.com/soblinhastortas/45729617).
Alguns minutos antes, um desses malacos que ficam na porta dos puteros anunciando as atrações das respectivas casas, havia gritado para nós:
– E aí rapaziada? Vai uma putaria hoje? Tão afim de uma bucetinha?
Comprometidos e rapazes de família que somos, rimos, mas ignoramos o chamado do cidadão e continuamos descendo a Augusta atrás de alguma balada decente e barata. Tarefa difícil… Studio SP: R$ 30,00 só a entrada; Inferno: R$ 40,00, seco… E todas as outras, inclusive as pretensiosamente auto-declaradas underground, cobravam mais ou menos esse valor.
A Outz e o Sarajevo tinham preços mais em conta. Decidimos pelo Saravejo. Enquanto subíamos, cruzando com putas, punks, skatistas, gays, maconheiros, cachaceiros, indies, emos e afins, refletíamos sobre as transformações que a Augusta passou nos últimos… sei lá… cinco anos.
– Antes aqui era praticamente só putero e puta na rua – disse meu amigo – Hoje várias baladas vieram pra cá. A Augusta tá com uma outra cara, completou.
Realmente a Augusta mudou. Ainda preserva uma face alternativa. Mas sem dúvida ela se desprostitui-se e, de certo modo, elitizou-se. O preço das baladas, equivalente aos da Vila Olímpia, Moema, etc., talvez seja o maior símbolo disso tudo.
A Augusta “chiquê” e glamourosa da década de 60
A saída das casas de prostituição da Augusta claramente intensificou-se durante a gestão Serra/Kassab, na qual além de bingos, lanchonetes e postos de gasolinas, vários puteros foram “lacrados”.
Continuamos subindo a rua rumo ao Sarajevo.
– Tão procurando alguma coisa truta? – perguntou um jovem numa outra esquina – Tenho aqui “branquinha” da boa…
Apesar de tudo, a Augusta continua Augusta…


Adorei… mesmo! Especialmente o final “A Augusta continua Augusta”.
Engraçado, a Augusta é uma rua de sei lá quantos números, gigantesca, começa no estabelecidos e termina nos outsiders – dos Jardins ao Centro… mas nunca consigo pensar nessa outra parte: a dos restaurantes chiques, das roupas de grife.
Apesar de todas as mudanças acho que a Augusta ainda é o antônimo do “mainstream” é o lugar das putas, dos emos, dos atores decadentes, dos bêbados. Você sempre vai ver isso por lá.
Apesar de tudo, é o único lugar que conheço de São Paulo que tenta “se” sonegar… ainda que essas formas de negação mudem com os tempos…
Aliás, Augusta mesmo só existe de noite. De dia é uma rua qualquer onde velhinhas caminham se queixando da “tamanha falta de moralismo nesse mundo”…
Depredando o vandalismo (“Não resisti e arranquei o lambe-lambe”)… tsc, tsc.
Não, sério… texto legal cara, esse seu amigo parece que sabe das coisas.
Espero que a Augusta continue sendo o lugar das putas, dos emos, dos atores decadentes e dos bêbados, como a Gabi falou, pq isso é que a torna diferente.
Também me deparei com esse lambe-lambe numa noite gelada de sábado, perambulando pela Augusta.
Fiquei intrigada, pensando em qual seria o significado. Mal deu pra olhar bem o lambe-lambe, tava muito frio e eu queria chegar logo num lugar quentinho…rs.
Mais a frente, vi uns caras colando mais kassabs pela rua, mas o frio em impediu de parar e perguntar qualéra a deles… Fiquei sem saber.
Qual a sua interpretação?
Eu não consegui identificar o que o Kassab segura. Acho que é um spray…
É uma sátira da figura do prefeito… Ele de terno, mas ao mesmo tempo de bermudinha… E parece que a pixação anarquia é dele também.
Parece que o cara que desenho queria dizer “o Kassab apronta nas escondidas”.
Pergunte ao próprio: http://www.fotolog.com/soblinhastortas
Olá,
vi seu blog e achei as fotos da cidade de sp legais, vc gostaria de manda-las para serem publicadas no site http://www.dimenstein.com.br
Pode me responder no e-mail erika@gdimen.com.br
O texto deu a impressão de que você ficou impressionado com o que viu. Acho que acabamos nos acostumando com isso pelo prazer de sentir a cidade em sua mais pura essência.