Marcelo Fidalgo
Toda segunda-feira é a mesma coisa. Quando chegamos ao trabalho, escola, bares, lanchonetes etc, o mesmo papo e o mesmo assunto. O torcedor do time que venceu tira um barato do time perdedor que responde lembrando vitórias passadas. Com isso os torcedores se vangloriam de torcer por um time com múltiplos títulos enquanto que as equipes que dificilmente são campeãs vão perdendo torcida.
Raramente se conhece alguém que tenha coragem de torcer para um desses clubes que raramente vencem. Eu torço para Portuguesa. Nunca vi meu time ser campeão além de títulos de categorias de base (Copa São Paulo de 1991 e 2002) e da A2 do Paulista. Sempre fui o único torcedor da Lusa nas escolas por onde passei (raramente havia um para me acompanhar).
Não gosto dessa mania das pessoas me perguntarem porque torço para Portuguesa. Não gosto dessa sociedade onde o objetivo de tudoé a vitória e quem perde de nada vale. Tudo é motivo de competição e comparação. As pessoas lutam pelos melhores salários, pela melhor casa, pelo melhor carro, pela melhor pia, pela mulher mais gostosa, pelo moço mais forte, pelo melhor time. Perder é ruim. O objetivo da vida é ganhar. Ninguém joga para perder, mas a derrota faz parte da vida.
Toda essa introdução é para falar que fui na partida Lusa no domingo dos dias das mães. E para falar que sempre que vou a um jogo da Lusa me sinto numa Cidade sonegada.
Cheguei uma hora antes da partida, mais cedo que o habitual, pois eu pretendia fazer uma matéria de rádio sobre as comidas preferidas pelos torcedores da Lusa antes dos jogos (bolinho de bacalhau, caldo verde, alheira, pastelzinho de Belém) . Geralmente não é necessário chegar mais do que dez ou quinze minutos antes da partida, já que não há nenhuma dificuldade para compra de ingressos. Primeira vantagem de não torcer por um desses times “vencedores”. Gravei alguns depoimentos com alguns lusitanos comendo bacalhau e alheira e entrei no estádio.
Logo no começo do primeiro tempo a Portuguesa abriu o placar com Marco Aurélio numa grande jogada do estreante do dia, Edno. O Figueirense empatou, a Lusa virou e o time visitante empatou de novo. Mas a Lusa estava disposta a dar uma vitória para a torcida após 6 anos na Série B e, em 5 minutos, fez 5 a 2. Era só festa no Canindé. A torcida (sonegada) que não vê seu time ser campeão há quase 40 anos estava em êxtase. Não há nada melhor do que a calmaria que vem depois da tempestade. Nem o gol de Felipe Santana aos 24 minutos do segundo tempo desanimava a torcida que previa um campeonato de alegrias.
Mas tem coisas que só acontecem com a Portuguesa (e na Cidade Sonegada). Aos 43 minutos o Figueirense encostou ainda mais no placar, 5 a 4. O estádio do Canindé ficou em silêncio. A pequena torcida (2495 pagantes) acompanhava o jogo com máxima atenção. O jogo que parecia ganho ganhava contornos de drama, e os reservas e a comissão técnica juntamente com a torcida pediam desesperadamente o final da partida.
O juiz dá três minutos de acréscimo. 47 minutos, escanteio para o Figueira. Até o goleiro do time catarinense sobe para tentar o gol. A zaga da lusa afasta e a torcida vibra, esperando o apito final do juiz. Ele não vem. Ele decide dar mais alguns segundos de jogo. Segundos que podem fazer a diferença. E fazem. Aos 48 minutos, numa bobeira coletiva da zaga da Lusa, Felipe Santana empata a partida.
A Lusa com certeza não é o time com mais vitórias. Não é o time com mais títulos, nem com mais torcida. Mas é o time que mais me dá emoção e para outros corajosos que não têm medo de ir contra a maré e de fazer parte dessa Cidade Sonegada. Que sabem que a vida não é só vitórias e frutos, mas também as histórias e emoções por que passamos. A Lusa é meu time.

E foi o jogo mais emocionante do campeonato até agora hein… Mas aí, falando sério, qual é o seu time de verdade?
muito longo esse texto malinha… mas de qqr forma, como boa (quase) lusitana eu li até o final!!!
e pensar que o primeiro estádio que fui na vida foi o Canindé!!! Amei!!!
Marcelo Fidalgo
Muito bom seu texto, mostra o que nós torcedores apaixonado por futebol e pela Ass. PORTUGUESA de Desportos sentimos, também estava no Canindé na estréia do Brasileirão, e hoje estarei novamente no Campo com minha camisa rubro verde, torcendo e cantando.
Fui ver meu time contra equipes que poucos aqui já viram jogar, agora chegou a nossa vez de mostrar que a série A é nosso lugar. Quem ama esse clube não abandona-ra jamais.
Parabéns pelo texto, e para aqueles que perguntam qual o nosso time de verdade, volto a pergunta:
Por que você torce para (tal) time?
PORTUGUESA eu te AMO….
Rogério Fonseca (Português)
Marcelo, gostei muito do seu texto!… Parabéns por levantar com orgulho a bandeira que vc admira. Admiro a Lusa e tudo o que o Roberto Leal me ensinou a amar de Portugal, apesar de ser brasileira. Mas sinto tb muita tristeza quando falo que admiro o Roberto Leal desde pequena e a reação de preconceito das pessoas fica evidente.
Tb como vc, não sinto vergonha de ter o Roberto Leal como ídolo. Para mim ele me ensinou grandes coisas… vou admirá-lo e divulgar seu trabalho onde eu estiver.
Muito Bom o seu depoimento!
Reflete bem o que nós torcedores da Lusa sentimos.
Penso até que os torcedores mais antigos (como meu pai , meu tio e as gerações ainda mais antigas) sofrem mais ainda que nós, pois já viram a mídia dar muito mais espaço para a Lusa no passado (eu tb cheguei a ver nos anos 80) e as glórias de nossa Lusa e hj temos dificuldades até para fazer nossos filhos torcerem para a Lusa.
A nossa comunidade tb tem culpa, pois se todos os portugueses, seus filhos e netos torcessem para a Lusa ela teria uma das maiores torcidas de SP. To cansado de ver filhos e netos de portugueses que não torcem para a Lusa.
Para mim estes são os verdadeiros traidores da nossa comunidade.
Parabéns pelo texto Marcelo, muito bom, expressa tudo que sentimos!
essa foto é montagem? rs..
cara, parabéns pelo blogue de vcs, gostei bastante!
abraços
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